O legado de Zico não se discute… nem se apaga!
A frase de Zico – “Modéstia à parte, eu fazia a mesma coisa que o Lionel Messi faz” – não deveria incomodar.
Porque o problema nunca foi a frase em si. O problema é quem a diz.
Vivemos tempos em que os entendidos da internet querem que os argumentos deles substituam os fatos, as estatísticas soltas virem debates e as opiniões rasas reescrevam o que já está eternizado.
E quando o nome é Zico, tratam como se fosse exagero. Como se fosse discussão.
Não é.
Quando colocam Diego Maradona ao lado de Messi, o mundo silencia em respeito.
Mas quando Zico entra na conversa, aparece o questionamento.
A dúvida.
A desinformação.
Mas a história não pede aprovação. Nem precisa.
Ela se impõe.
O mesmo Maradona que é respeitado quando o assunto é Lionel Messi, é o mesmo que em seis confrontos diretos contra o camisa 10 rubro-negro não venceu: cinco derrotas e um empate.
Em todos, Zico foi decisivo. Em todos, protagonista. Gol, assistência, liderança. Não foi coadjuvante da própria geração – foi referência dela.
E mesmo assim, os entendidos tentam diminuir o que o Zico construiu.
Esquecem – ou fingem esquecer – que sua carreira foi atravessada por violência. Uma lesão no joelho que não tirou só tempo de campo.
Tentou tirar sua essência.
Tentou apagar sua genialidade.
Não conseguiu.
Porque grandeza de verdade não se quebra.
Dizem que ele não fez nada pela Seleção Brasileira. Dizem que foi “jogador de clube”, como se vestir a camisa do Flamengo e levar um continente inteiro aos pés em 1981 fosse pouco. Como se encantar multidões fosse detalhe.
Como se emoção não contasse.
Zico não ganhou uma Copa do Mundo.
E daí?
Johan Cruyff não ganhou.
Di Stéfano não ganhou.
Puskás não ganhou.
Michel Platini não ganhou.
Cristiano Ronaldo não ganhou.
Eusébio não ganhou.
E ninguém ousa diminuir esses nomes por isso.
Só que com Zico, ousam.
Porque esquecer virou confortável.
Outro assunto recente escancarou isso: a revolta de Zico com essa história de “Novo Maracanã”.
E dói ver que ele ainda precisa se pronunciar, se explicar, pedir para não tentarem apagar o que ele construiu 334 vezes no estádio.
Ou vocês acham que fazer gol naquela época em que Zico jogou era fácil?
Não, nunca foi!
O Estádio do Maracanã pode ter mudado por fora. Pode ter cadeira nova, nome moderno, padrão FIFA.
Mas a alma… a alma tem dono.
E o dono tem nome.
Zico.
São 334 gols naquele gramado.
Trezentos e trinta e quatro vezes em que a rede balançou e um estádio inteiro explodiu junto.
Isso não se reforma.
Isso não se divide.
Isso não se discute e muito menos se apaga.
Isso se respeita.
Não é opinião. Não é nostalgia. Não é clubismo.
É história.
Antes de falar de Zico, é preciso baixar o tom.
Antes de comparar, é preciso estudar.
Antes de julgar, é preciso sentir.
Porque Zico não cabe em debate.
Zico é daqueles que atravessam o tempo, o barulho e a ignorância… e continuam lá.
Intocáveis.
Eternos.
Zico não é debate.
Zico é história.
