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    Torcida única no clássico: As contradições de Pedrinho e um precedente perigoso

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    Atual presidente do Vasco se contradiz, entra em colisão com o elogiado comentarista que foi e sugere um “crime” que nem mesmo Eurico Miranda tentou.

    Começamos pela seguinte sentença:

    “Pedrinho passa longe da razão e age como o torcedor mais tacanho, individualista e ilógico possível. Não há nada o que esperar dele.”

    A frase pode parecer sensacionalista, e o é um pouco, mas explico:

    Daqui a alguns dias, em 19 de abril, ou seja, pouco mais de uma quinzena, Flamengo e Vasco devem fazer o primeiro enfrentamento via Campeonato Brasileiro, com mando do rival cruz-maltino.

    Como já foi nas semifinais do Campeonato Carioca desse ano, a diretoria vascaína quer levar o jogo para um estádio que não o Maracanã. Segundo os próprios, essa é a casa do Flamengo.

    Encabeça essa iniciativa o presidente Pedrinho, ex-jogador de sucesso considerável, que após a aposentadoria e uma frustrada experiência como auxiliar técnico, se tornou um comentarista elogiado, especialmente por ser eloquente.

    Depois de muitos elogios e prêmios, ele aceitou o convite de uma corrente política do Vasco, assumiu a cabeça de chapa e é o atual mandatário do chamado “Gigante da Colina”.

    A proposta de levar o jogo para a casa vascaína é válida, mas esbarra na decisão do Batalhão Especial de Policiamento em Estádios, o BEPE, que alega que o estádio não tem condições de receber um clássico desse tamanho.

    Pois bem, o dirigente em entrevista ao podcast Cruz-maltino, sugeriu que a partida deverá em São Januário, que esse é o desejo da diretoria e que eles batalharão por isso, mesmo que seja uma partida com torcida única.

    Torcida única no clássico: As contradições de Pedrinho e um precedente perigoso
    Imagem: Reprodução

    Vale ressaltar que ele não foi levado a falar isso, não foi sugerido o assunto antes, não houve menção nem dos entrevistadores e nem de qualquer pessoa externa.

    Pedrinho falou o que falou por vontade própria, mas os defensores do cartola dizem que ele foi mal interpretado.

    O “bom” comentarista teria sido mal interpretado?

    Curioso que esse tipo de fala ocorra a partir de um sujeito que nos últimos anos ficou conhecido por trabalhar em comunicação.

    Pedrinho era elogiado por suas análises, era chamado de inteligente e bem articulado, acima da média quando comparado com outros ex-jogadores comentaristas.

    Outro fato peculiar é que toda essa conversa ocorreu depois de uma briga que vesava sobre o contrário e que não era tão antiga, advinda do ano passado, a respeito do jogo entre Vasco e Nova Iguaçu ser ou não no Maracanã, pelas semifinais do Campeonato Carioca de 2024.

    O jogo foi disputado em março e da parte da dupla Fla-Flu se reclamava (com razão) que haviam muitos jogos no estádio.

    Somando dois administradores (Flamengo e Fluminense) que já faziam em torno de 30 a 40 jogos cada, mais um terceiro clube, que queria fazer os seus jogos de maior apelo, seria de fato um número muito grande de certames ali.

    Na época ainda em parceria com a roading 777, o Vasco lançou até uma camisa, onde no espaço do patrocínio Master havia a mensagem:

    Torcida única no clássico: As contradições de Pedrinho e um precedente perigoso
    Camisa utilizada pelo Vasco nas semifinais contra o Nova Iguaçu, em 2024, em protesto a licitação do estádio Mário Filho. Imagem: Reprodução

    Algumas partidas de Série A e Série B também foram disputados no Maracanã, a realidade é que como São Januário não tem grande capacidade, sempre que o Vasco tinha um jogo com apelo, pedia o estádio.

    Como não era atendido pelos titulares do consórcio, entrava na justiça para poder utilizar e quase sempre conseguia. No entanto, na hora de dividir os custos – o Maracanã é caro de fazer manutenção, mesmo sendo um bem público quem arca com ele é a dupla Flamengo e Fluminense- o Vasco não se propunha a pagar nada, mesmo que o discurso dos torcedores fosse o inverso, de que a instituição queria sim ser parte do consórcio.

    Em pouco tempo, tudo mudou e hoje o lugar é visto como uma pedra no sapato, um território inimigo, inconveniente para os desígnios vascaínos.

    Vamos aos fatos então, elencando os problemas, motivos para a tal ação e a torta visão de Pedrinho.

    A proibição do BEPE e a fuga de responsabilidade.

    Independente das falas tacanhas de Pedrinho, é inegável que a decisão de proibir o Vasco de jogar onde bem entende é arbitrária.

    Não podemos ser clubistas e afirmar que não é verdade. Pessoalmente, prefiro os clássicos todos no Maracanã, a tradição prega isso, mas sei ser contrariado no campo da opinião.

    Dito isso, obviamente não nego que o Vasco tem direito de jogar em São Januário.

    Não há também como negar que as rotas no entorno da Barreira são complicadas para evacuar multidões, indiscutivelmente.

    Até a idealização do novo estádio do Flamengo passa por planejar rotas com espaço grande, passa por verificar se o terreno do Gasômetro tem facilidade de saída de pessoas e potencial construtivo nesse sentido, afinal, se não tiver, o estádio não poderá ter uma capacidade tão alta e os clássicos deverão ser disputados no Maracanã.

    A comparação falha:

    Ainda assim há algumas defesas que simplesmente não fazem sentido, analogias levantadas que não contemplam o real.

    Quem defende que o Vasco recebe Santos, Cruzeiro e Corinthians sabe muito bem que não há como comparar a ida da torcida do Flamengo até a Barreira com essas visitas. Esse é um argumento tolo.

    Há muito mais flamenguistas no Rio do que torcedores desses times somados, mesmo que haja rivalidade entre Santos e Vasco, ela não se compara a o que ocorre entre Vasco e Flamengo.

    Dito isso, é papel da Polícia e demais autoridades conseguir cuidar e providenciar escolta e o que tiver que ser, ainda mais no regime proposto pela diretoria vascaína, de não ser metade para cada torcida e sim um percentual de 5 ou 10% de ingressos para a torcida do Flamengo.

    Curioso que foi por conta desse percentual que Pedrinho sugeriu ser torcida única. Ele faz acreditar, em seu argumento, que seria desprezível o número de 5% ou 10% de torcedores vascaínos no Maracanã, uma vez que a recíproca seria indicada, dessa forma, poderia ser torcida única. Duvido que torcedores vascaínos abririam mão de ir ver o Vasco contra um rival histórico.

    O último jogo do Flamengo em São Januário foi digno de cenas lamentáveis, um dia quem sabe abordaremos o tópico em separado.

    Ainda assim, a crise de uma partida disputada anos atrás não pode ser a resposta definitiva, não dita a eternidade, as autoridades tem que agir como são de fato, como forças do Estado, que servem a população, seja ela vermelha e preta ou carregando a cruz de malta.

    O Vasco não se sente bem no Maracanã

    É bastante justificável a fala que o Vasco não se sente bem-vindo no Maracanã.

    Não entremos em pequenezas como a questão da disputa de parcela do setor Sul, que é um problema entre Fluminense e Vasco e nada tem a ver com o Flamengo, mas é fato que há outras questões.

    A exploração de bares e quiosques é limitada quando o Vasco joga no Maracanã, ao menos é o que torcedores ilustres defendem. Se de fato é uma realidade, é inadmissível que assim o seja. É preciso sentar, conversar e negociar, com toda calma e parcimônia possível.

    Em uma discussão recente, o ótimo jornalista Lédio Carmona, vascaíno roxo, aponta bem o que acha da situação de mandar o jogo em São Januário:

    Lédio ainda sugere que o estádio pode ser interditado, pois existe uma má vontade com São Januário como um todo.

    Parte da defesa do jornalista, talvez esse seja o último clássico dos Milhões nesse São Januário, o que também, pouco importa, já que a tradição é Vasco e Flamengo jogarem no Maraca. Foram apenas 36 jogos entre os rivais disputados no estádio, entre mais de 400 disputas entre eles.

    Prospectando o futuro

    Isso abre outra questão, suscitando a dúvida: em se aprovando a reforma de São Januário para a modernização onde jogará o Vasco nesse meio tempo?

    Vale lembrar que esse cronista já foi algumas vezes no estádio do Vasco, a trabalho e a lazer.

    Ele considera que, claro, o lugar possui o seu charme, mas é fato que ele está no mínimo defasado se comparado aos seus pares, está desatualizado, para dizer o mínimo. Até ir ao banheiro é um desafio.

    Estando o estádio impossibilitado de receber jogos, onde o Vasco jogará? Fora do Rio? O Raulino de Oliveira é distante, em outra cidade. O Engenhão/Nilton Santos tem gramado sintético, tipo de piso que é muito criticado pelos jogadores Vegetti e Coutinho, os principais atletas do atual elenco.

    Eles vão querer jogar no Maracanã, que já recebe um número absurdo de jogos de Flamengo e Fluminense? Se sim, a questão do estádio ser um ambiente hostil ainda vai existir ou é uma reclamação de ocasião apenas?

    Já é dado e óbvio que o gramado do estádio Mário Filho deveria ser poupado no instante atual, ainda haverá mais demanda de jogos?

    Essa diretoria – ou a próxima, já que Pedrinho pode não se reeleger ou pode vender a SAF de novo – vai ignorar a inconsistência narrativa que é aberta nesse 2025, caso São Januário seja de fato reformado?

    Torcida única no clássico: As contradições de Pedrinho e um precedente perigoso
    Foto: Paulo Fernandes/vasco.com.br

    Opinião

    É curioso como toda a fala de Pedrinho soa como algo ilógico, um disparate.

    Parece ser apenas o choro de um mau perdedor, provocado antes mesmo da bola rolar.

    O Vasco esmigalha a rivalidade com o Flamengo, independente até do fato de ganhar pouco no retrospecto recente. Essa parece ser uma tentativa de criar um fato novo, de querer propor novas táticas para vencer o “título” que é ganhar do rubro-negro.

    Quem defendia essa máxima era Eurico Miranda, dirigente já finado, que nada tem a ver com a atual diretoria. Para ele, vencer do Flamengo é como ganhar uma taça. Ele odiava o Flamengo e a recíproca era verdadeira.

    Pedrinho prometia ser diferente de Eurico. Seu grupo político o Sempre Vasco esteve na oposição a Eurico Miranda desde que nasceu.

    Se for mesmo isso, é uma saída futil. O futebol é o esporte onde mais se abre chance ao imponderável. Se o Flamengo pode perder pra um time pequeno, poderia também perder para o Vasco, mesmo em um momento histórico combalido do adversário.

    Apelar para quebrar uma tradição e levar o jogo para São Januário e pior, propor torcida única no propalado Clássico dos Milhões é apequenar o time da Cruz de Malta ao extermo.

    O Vasco forte, ajuda o Flamengo a se fortalecer?

    A resposta é: Sim. Explico.

    O Vasco é grande, precisa agir como grande. Pedrinho precisa ter uma postura altiva, como mandatário do clube grande que gere.

    O Vasco sendo bem gerido favorece o Flamengo, pois o Mengão terá um exemplo de uma boa gestão financeira e desportiva ao seu lado, seja o Vasco uma SAF ou um clube associativo.

    O cruzmaltino tem torcida e potencial para constranger até as diretorias incompetentes do Flamengo.

    Se o estádio do rival do rival estiver cheio, com ingressos populares e o time deles bem, diretorias como as do BAP ou possíveis sucessores ficarão ainda mais sem argumentos para cobrar os preços altíssimos e proibitivos que tem cobrado, especialmente para a parcela da torcida menos abastada.

    O flamenguista se orgulha de ser uma Nação, mas pouco se faz para incluir quem torna o Flamengo um time tão numeroso em questão de adeptos.

    Qualquer onda a favor, ajuda.

    Torcida única no clássico: As contradições de Pedrinho e um precedente perigoso
    Antônio Ramos e Antônio Barbosa. Torcedores folclóricos do Flamengo. Foto: Reprodução

    Mas Pedrinho, que sempre se apresentou como alguém razoável, acaba não sendo assim, nem minimamente.

    Querer que ele ajude o futebol brasileiro parece ser um sonho cada vez mais distante e irrealista, que dirá ajudar o Flamengo. Como não é essa a sua função, tudo bem, que não ajude o seu rival, mas daí a atrapalhar o Vasco, é uma novidade inesperada mesmo, com cheio de sabotagem tosca.

    Ainda propor torcida única, que é uma excrecência absurda, praticada em São Paulo e em outras praças, é equivalente a exigir a falência do futebol carioca.

    Em São Paulo, é perigoso usar camisas de times quaisquer em certas áreas, especialmente em dias de jogos. Isso piorou depois da obrigatoriedade da torcida única em clássicos estaduais. No Rio, as pessoas transitam ostentando as cores de sua paixão sem receio.

    Há muitos problemas na Cidade Maravilhosa e no resto do estado. Abraçar essa alternativa pode acrescentar mais um problema de segurança, o que seria melancólico.

    Dito tudo isso, sim, dá para afirmar que: Pedrinho passa longe da razão e age cada vez mais como o torcedor mais tacanho, individualista e ilógico possível. Não há nada o que esperar dele.

    Agora é aguarda que esse jogo tenha sim torcida dividida, além de torcer para que a moda não pegue.

    Em breve voltamos com mais informações e análises.

    Vamos Flamengo!

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