“Junior, obrigado por forjar o meu caráter rubro-negro!”
A primeira vez que vi Junior em campo, foi com a camisa da seleção brasileira. Não recordo-me em que jogo foi e em qual estádio (suspeito Maracanã), pois ainda era criança. Mas suponho que tenha sido um amistoso preparativo para a Copa do Mundo na Espanha, em 1982.
No entanto, até hoje lembro daquele lance. Foi um cruzamento na área do Brasil e naquela bola perigosa, no meio de tantos jogadores adversários, Junior sobe e com a categoria que Deus lhe deu, mata a bola no peito e recua para a mãos de Waldir Peres. Vibrei como se fosse um gol dele.
Anos depois, já como fã do jogador, passei a acompanhar a carreira do senhor Leovegildo Lins da Gama Junior, tanto no Flamengo e na mesma seleção brasileira.
Recordista de partidas com o Manto Rubro-Negro, Junior – sem acento, é bom que se diga – teve uma carreira privilegiada e sem contusões graves. O fato em si, já o torna vitorioso pela própria natureza, já que contou com as areia das praias cariocas na prevenção de lesões podendo manter o equilíbrio e a coordenação motora. Os músculos e articulações, lógico, agradeceram e tornaram-se mais resistentes.
E, convenhamos, ninguém melhor definiu a palavra resistência como Junior. Tanto que foi campeão carioca e brasileiro em um time de garotos e ele, merecidamente, recebeu apelidos de Maestro e Vovô. Isso em 1992, no pentacampeonato, competição que literalmente ‘comeu’ a bola.
Mas Junior tornou-se um querido amigo. Um ser humano incrível e apreciador do meu trabalho de artista plástico. Já ilustrei um livro de Maurício Neves de Jesus que foi lançado na Gávea, na pandemia, em 2020. Agora, o mesmo Maurício, me pediu autorização para publicar na biografia do Maestro o The Last Dance, nome sugerido pelo autor da obra literária.
O The Last Dance, traduzido para o português como A Última Dança, aconteceu em um 19 de agosto de 1993, no San Siro, na Itália. A partida foi válida pelo Torneio de Milão e o Flamengo acabou derrotado por 2 a 1.
Por isso, estou muito honrado em poder contribuir com a minha arte e vou entregar ao Junior na próxima quarta-feira (3), no programa Suderj Informa em que sou o produtor.
O desejo do meu coração é dar o quadro, um forte abraço e dizer para o ex-jogador que mais vezes entrou em campo com as cores rubro-negras: “Junior, obrigado por forjar meu caráter rubro-negro!”.




Foto em Destaque: Elo7
