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    Romário no Flamengo | Hoje faz 30 anos da estreia do Baixinho no Maracanã, em um clássico Fla-Flu

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    Em fevereiro de 1995, no ano do centenário, Romário estreava com a camisa do Flamengo no Maracanã, justamente em dia de clássico.

    30 anos atrás, no décimo segundo dia do mês de fevereiro de 1995, o atacante Romário fazia a sua estreia com a camisa do Flamengo no estádio Jornalista Mário Filho, o popular Maracanã.

    Em partida válida pela Taça Guanabara, o time rubro-negro enfrentou o Fluminense de Ézio, Edinho e companhia, antes do fatídico episódio do gol de barriga de Renato Gaúcho, que a essa altura, desfalcava o Flu.

    Para a tristeza da torcida vermelha e preta, as disputas contra o tricolor das Laranjeiras nesse 95 foram repletas de reveses, sendo esse o resultado neutro, seguido de um 3 a 1, além do indigesto 4 a 3 a favor do adversário.

    Mas, vamos nos ater ao jogo de estreia do Baixinho na casa rubro-negra, o Maraca.

    O Flamengo

    Esse era um jogo válido pela 4ª Rodada da Taça Guanabara e o Maracanã teve um bom público, com 98.907 espectadores, ávidos por ver o craque da camisa número onze.

    Torcedor com faixa de Romario
    Imagem: Tv Globo

    A expectativa era obviamente a de ver Romário brilhando com a camisa vermelha e preta, mas, como era de se esperar, não foi exatamente isso que aconteceu, até por conta de ter do outro lado um adversário que conhecia o Baixo, no caso, o natalino Joel Santana.

    O treinador tricolor colocou uma espécie de setorista de marcação, para anular Romário. De certa forma, o sujeito teve sucesso.

    Já o Flamengo de Vanderlei Luxemburgo (que na época, assinava ainda Wanderley) entrou em campo com o goleiro Adriano, Charles Guerreiro, Jorge Luís, Agnaldo Liz e Branco; Fabinho, Marquinhos, Fábio Baiano (entrou Hugo em seu lugar) o camisa dez Nélio (depois entrou Mazinho Oliveira). No ataque, Sávio, o diabo loiro, além do artilheiro Romário.

    O retrospecto sem Romário

    Nos primeiros jogos, Romário não jogou. O ataque foi composto por Mazinho (não confundir com Mazinho tetra, o pai de Thiago e Rafinha Alcântara) e Sávio.

    Vale lembrar que antes da chegada de Edmundo, o tal ataque dos sonhos era programado para ser formado pelo trio Romário, Sávio e esse Mazinho, o mesmo que teve passagem pelo Bayern de Munique da Alemanha, pelo Internacional e pela seleção brasileira em 1991, mas Oliveira acabou amargando a reserva, embora tenha jogado como titular novamente contra Americano e Campo Grande, que seriam as próximas partidas do time.

    O Flamengo havia vencido o Volta Redonda por 2 a 0 na estreia, depois empatou com o Madureira em 1 a 1, além de ter goleado o Friburguense por 6 a 0. Como o retrospecto era positivo, a torcida se incomodou com a postura do time diante do Fluminense, que não conseguiu um grande tento no primeiro desafio para valer do campeonato.

    Confira aqui um compilado dos melhores momentos, apresentados pelos saudosos Leo Batista e Fernando Vanucci.

    Como bem dito na matéria, os destaques do jogo foram os dois goleiros, Wellerson pelo tricolor e Adriano pelo Flamengo, mas houveram outros, até mesmo, fora das quatro linhas.

    Presença ilustre

    Nas tribunas do Maracanã apareceram pessoas conhecidas, como a esposa de Romário, Mônica Santoro, que estava em destaque na torcida, ao lado dos filhos do casal.

    Em determinado ponto, uma repórter da TV Manchete, Ana Paula Rocha, faz uma pergunta capciosa para a moça, perguntando se ela virou a casaca, já que era torcedora do Vasco, mas estava no Maracanã, ostentando as cores do Flamengo.

    Romário no Flamengo | Hoje faz 30 anos da estreia Baixinho no Maracanã, em um clássico Fla-Flu
    Imagem: Tv Manchete

    Ela obviamente respondeu que torce pelo time onde o marido está, sendo portanto fiel a Romário, o que seria irônico, dado que em breve o casamento dos dois se dissolveria, justamente por indiscrições conjugais do atacante.

    Ainda termina sua fala dizendo que tinha esperanças de que o centro-avante faria dois gols e levantaria “essa torcida linda” que o acompanhava, mas isso, como sabemos, não aconteceu.

    Destaques do jogo

    Além dos goleiros, também foi destaque no jogo o tricolor Aílton, meio-campo que armou boa parte das jogadas ofensivas do Fluminense. Ézio que era esperança de gol do adversário, não conseguiu seu intento e foi substituído.

    Vale lembrar que esse Fluminense estava longe de ter a mesma pujança dos anos de investimento da Unimed, que ocorreria anos depois, incluindo até mesmo Romário e Edmundo no mesmo time.

    Esse era um elenco de operários, como era dito pela própria torcida, um grupo modesto e barato, o azarão daquele ano.

    Para se ter noção, o Flamengo investiria muito no elenco, obviamente, já que era ano do centenário de fundação. Já o Vasco mantinha sua base tricampeã carioca entre 1992, 93 e 94, enquanto o Botafogo montaria o seu elenco forte, que ganharia o Campeonato Brasileiro.

    Romário isolado

    Romário ficou igualmente isolado. Não tinha entrosamento ainda com o time. Nos primeiros quinze minutos, ele tocou na bola apenas uma vez.

    Ele foi bem anulado por um jovem jogador do Fluminense, Lima. Até a crônica esportiva da época destacou que Romário foi engolido por seu marcador, como destacado abaixo, no jornal O Globo.

    Romário no Flamengo | Hoje faz 30 anos da estreia Baixinho no Maracanã, em um clássico Fla-Flu
    Imagem: Acervo de O Globo

    A torcida, que antes cantava o nome dele, optou por celebrar seu colega de ataque, Sávio, que ainda ostentava a camisa 7, já que a camisa 10 era de Nélio.

    A volta por cima de Adriano, um goleiro preto

    Quem saiu do jogo feliz foi o goleiro Adriano. O atleta havia sido fortemente criticado, partidas antes.

    Em entrevista no pós-jogo, o guarda-metas chegou a dizer que, após vaias proferidas na sexta-feira, ele chorou, na concentração. Confessa em vídeo isso, de maneira muito franca e emocionada.

    Considerando o infeliz momento recente em que o apresentador Craque Neto citou o Flamengo como um time que se desfez do goleiro Hugo Souza possivelmente por racismo, certamente o exemplo de Adriano é bom, para exemplificar o quanto Neto estava errado.

    Os goleiros negros do Flamengo

    Adriano é mais um entre tantos outros goleiros pretos que passaram pelo Flamengo, um com destaque inclusive.

    Tal qual ele o Flamengo também teve Felipe, ex-goleiro do Corinthians (o time de Neto) o infame Bruno Souza, que também passou pelo alvinegro paulista, também Weslesley Neneca, que tem em comum com Hugo o mesmo apelido, Neneca.

    Romário no Flamengo | Hoje faz 30 anos da estreia Baixinho no Maracanã, em um clássico Fla-Flu
    Na imagem Adriano, Cantarelli (ex-goleiro histórico, que era preparador de goleiros na época) e Wesleley Neneca. Imagem: @1981antigo

    Mais atrás ainda teve Ubirajara Alcântara, que era um goleiro bom e polêmico, além de Hélio dos Anjos entre tantos outros.

    Um Fla-Flu equilibrado

    Voltando ao assunto do jogo, confira matéria da Rede Manchete, com apresentação do finado Márcio Guedes, com reportagem de Ana Paula Rocha.

    Romário demoraria um pouco mais a desencantar

    O atacante Romário ainda brilharia com a camisa do Flamengo, mas não nesse momento. Aqui, ele sai agradecendo a Deus, dizendo que era um dia especial e que nem o empate apagou esse tento.

    Ainda assim ele só conseguiria fazer gols pelo Flamengo mais tarde, em partida também válida pelo campeonato estadual.

    Em breve retornaremos, com mais um episódio da saga de Romário pelo Flamengo, falando do primeiro gol dele, com a camisa vermelha e preta.

    Vamos Flamengo!

    Confira as nossas postagens especiais sobre a chegada de Romário ao Flamengo:

    Parte 1: A Chegada
    Parte 2: A Parte Financeira
    Parte 3: O Frasista
    Parte 4 : A Estreia
    Parte 5 : O Primeiro jogo no Maracanã
    Parte 6: O Primeiro gol de Romário pelo Flamengo

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