Diante de saída iminente, há quem defenda o “veloz” zagueiro, mesmo com todas as polêmicas
Após grande novela, o time do Flamengo está próximo de perder um dos poucos expoentes positivos dos anos recentes, o zagueiro Fabrício Bruno, que está de saída justamente para o Cruzeiro, clube pelo qual já jogou anos antes.
É curioso demais perceber que um sujeito que chegou como aposta no Flamengo, que começou como opção no banco de reservas, que se tornou titular absoluto até a chegada de Filipe Luís, que foi convocado para a seleção brasileira de Dorival Júnior e que recebeu propostas estrangeiras se tornou uma opção de saída iminente.
Mais impressionante ainda é o fato de se pensar que há alguns meses ele poderia estar na Premier League ou na League One e agora deve ir para um rival brasileiro, que nem disputa a Copa Libertadores da América.
A reflexão necessária
Sobre Fabrício, há de se analisar dois lados de uma mesma moeda.
O primeiro deles, é o lado do jogador, suas condições e valências (positivas e negativas) como ele foi útil ao Flamengo e como poderia ainda ser.
O segundo lado é como ele tratou o Flamengo no passado e quais foram as suas prioridades, entre o lado individual e o coletivo.
Ponto um: quem é e quem foi Fabrício Bruno
É quase indiscutível que o Fabrício Bruno é um jogador diferente nesse momento da carreira. Ele entrou um jogador e (supostamente) saiu outro.
O Flamengo fez muito bem a ele.
Quando veio ele era um defensor elogiado no Red Bull Bragantino, um jogador de bons números, mas que era desconhecido do grande público, tanto que veio com desconfiança e já em 2022, sob comando do português Paulo Sousa, se falava que o Flamengo trouxe o zagueiro errado.
Nessa época já se defendia que o atleta “bom” na defesa do time de Bragança Paulista era na verdade Léo Ortiz, que curiosamente, barrou o próprio Fabrício no Flamengo.

Ele chegou ao Flamengo já com uma certa idade, com 26 anos. Era um zagueiro pronto, que poderia ser titular e poderia disputar uma vaga. Dito isso, é preciso salientar o óbvio: ele era não era exatamente uma aposta, ao menos não uma aposta de alto risco, mesmo que a maioria das pessoas não conhecessem o seu potencial.
Ainda assim ele melhorou demais no Flamengo. Jogou bem até em 2022, quando era opção, já que a zaga titular era Léo Pereira e David Luiz.
Com razão e tranquilidade acabou barrando o veterano DL e desde então se firmou como titular, passando a ser assim com Vitor Pereira, Jorge Sampaoli e até Tite.
FB conquistou a torcida com seu jeito “sincerão”. Especialmente em 2023, quando o Flamengo fracassou no início do ano.
Após eliminações vexatórias no Mundial de Clubes, após uma estreia péssima na Libertadores, ele foi o porta-voz do time e remou contra a maré, denunciando inclusive a má vontade do elenco na segunda partida da final do Campeonato Carioca, quando, segundo ele, o time não estava seguindo o que o desprestigiado Vitor Pereira pedia.
Além disso, ganhou fama de “Flash” da Gávea, já que era veloz, tal qual o herói da DC Comics, fama essa cultivada pelo próprio, já que ele dizia que não perderia na corrida para nenhum atacante.
Junto a essa questão, muitos especialistas em tática reclamavam que ele demorava a dar o bote nos adversários, justamente para mostrar que conseguia ganhar na corrida em comparação com os pontas do futebol sul-americano.
Victor Nicolau, o Falso Nove, um (bom) especialista em tática que posta vídeos no YouTube fala bastante a respeito disso, normalmente em tom de crítica a postura de Fabrício.
E de fato o zagueiro atrasa a passada para pegar o atacante. Quando funciona é algo sensacional, quando não, é um Deus nos acuda, até por conta de ele ser um sujeito veloz, característica essa que seus companheiros talvez não sejam.
Ele pode ganhar na corrida, mas se o atacante passa a bola para outro atleta, o companheiro de FB fica vendido…
Outra questão é que a sua saída de bola não é das melhores, não à toa ele foi preterido aos dois “Léos”, consequentemente se tornando banco. Embora tenha melhorado bastante nesse quesito, não se justificou como titular em cima nem de Ortiz nem de Léo Pereira.
A teimosia de Tite o tornava titular absoluto, mesmo que Léo Ortiz pedisse passagem, O zagueiro mais caro do elenco ou era banco ou era utilizado como volante. FB era tão adulado pela torcida que mesmo os adeptos que eram super críticos a Tite, defendiam que Ortiz deveria ser volante e não zagueiro, para preservar o queridinho deles como titular.
Como Filipe Luís é coerente, não acredita no conceito de hierarquia de oportunidades que Adenor pregava, simplesmente colocou quem fazia sentido em campo.
O ponto dois: pouco se pensou em Flamengo
Sair do Flamengo não é uma novidade para Fabrício. Vendas com ele foram especuladas em duas situações, ambas de origem gringa.
Ele quase foi negociado junto ao britânico West Ham de Londres, clubes de Lucas Paquetá, que fez um raro movimento de oferecer uma quantia boa por um jogador já formado, beirando os 30 anos, isso depois da ida da seleção de Dorival a Europa.
Ele recusou a proposta. Não houve um pronunciamento oficial (quando se trata de anúncios assim nunca se fala, obviamente) mas o que se comentou na época é que a proposta salarial não o agradou.

Para a maioria dos jogadores, ir para a Europa seria um sonho. Não foi o caso.
A proposta era muito boa financeiramente e depois dela, o time francês do Rennais
(Stade Rennais Football Club) “fez” uma proposta semelhante, não tão vantajosa financeiramente, mas ainda muito boa, em teoria.
Curiosamente, hoje, o time é comandado pelo ex-treinador do Flamengo Jorge Sampaoli.
O que se afirma da parte de quem defende FB é que ele queria ir e que a diretoria não o liberou, argumento esse que faz pouco ou nenhum sentido.
Que fique claro, essa não é uma defesa a nenhum dirigente, atual ou antigo, é só uma constatação: não faz sentido.
Marcos Braz inclusive falou sobre o “sonho” de Fabrício Bruno, em um tom até agressivo, reclamando da recusa dele a proposta do West Ham.
Quando se cogitou vender ele ao Rennais, ele falou abertamente. Considerando essa fala é difícil achar que a diretoria recusaria uma proposta tão vantajosa financeiramente, ainda mais depois de não vender do lateral Wesley para a Atalanta, essa sim uma proposta burramente não concretizada por erro da gestão.
Alguns jornalistas com boas fontes – entre eles, Mauro Cezar Pereira – defendem que na verdade, o time francês sondou o jogador, mas não trouxe uma proposta oficial, com contrato apresentado ao Flamengo.
Isso até faz mais sentido.
Conclusão
O que se apresenta é:
Fabrício Bruno, do alto de sua grande auto estima, não quer ser reserva e pelo visto, não quer ter que disputar vaga com os dois Léos – embora para muitos, ele tenha mais potencial que Léo Pereira, zagueiro de altos e baixos, que está a mais tempo no Flamengo e se vale do fato de ser canhoto.
Alguma das partes não está exatamente interessada em discutir o assunto, ou é Fabrício que não quer disputar vaga ou o treinador Filipe Luís não quer trabalhar em convencer ele de que deve permanecer, mesmo que na atualidade, seja reserva.
O atual diretor do Flamengo, José Boto, acabou de chegar, ele não está totalmente inteirado da situação, naturalmente.
Sabendo da problemática, é natural que tenta vender ele pelo maior valor possível.
Benção disfarçada
Considerando que Fabrício tem idade avançada, sua negociação pode ser uma benção disfarçada. Se ele é veloz agora, pode não ser mais daqui há algum tempo. Curioso é que ele renovou o contrato a não muito tempo, mas segue – segundo consta – insistindo em sair.
Muita gente ainda na época de Tite – esse analista incluso – levantava a obviedade de que Léo Ortiz deveria ser titular, dessa forma, a venda para a Inglaterra seria sensacional, mesmo que se precisasse ir atrás de outro zagueiro. Na época, ainda se tinha David Luiz no elenco e Tite vivia elogiando o zagueiro Cleiton, que ele chamava por ele de Bahia, que aliás, ainda está no elenco.
Ora, se ele (Bahia/Cleiton) realmente é bom jogador e tem potencial por que não vender? Aliás, por que esse rapaz não era aproveitado e não é agora, já que é canhoto, versátil, capaz de jogar na zaga e na lateral esquerda?
Se havia DL no elenco e se há duas peças do time sub 20 com potencial – a saber, Iago, que foi capitão das seleções de base e que fez dupla com Vitor Reis do Palmeiras (e que tem uma boa proposta de compra do Manchester City) além do recentemente convocado para seleção Sub-20 João Victor, de 18 anos, que foi dispensado da mesma a pedido da direção do Flamengo e que está nos Estados Unidos com Filipe Luís e o time principal – por que não se pensa em negociar um atleta reserva às vésperas de fazer 30 anos, ainda mais por cifras milionárias?
Se Fabrício Bruno está à venda, que se procure outro, claro, já que nem Tite e nem FL deram minutos a Cleiton, Iago e João. Que não seja agora, mas para o início do Brasileiro e da Libertadores. Há de se reforçar.
Quando a Fabrício, se ele recusou uma proposta boa para o Flamengo e não consegue sossegar o facho e disputar a titularidade mesmo sendo tão veloz e poderoso quanto julga ser, que seja feliz onde for, já que sua vontade e egolatria é maior que a vontade de ostentar o manto rubro-negro.
Ele é profissional, tudo bem, sendo assim, saindo do Flamengo, sem vínculo, a ele resta o “obrigado pelos bons jogos” e nada mais. Um profissional se trata como profissional, não se deve lamentar ou sentir saudades. Ele fez a escolha dele e não tratou o Flamengo como prioridade.
É isso. Seguimos.
Vamos Flamengo!