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    Marcos Vinicius Cabral
    Marcos Vinicius Cabral
    Formado em Comunicação Social pela Anhanguera, campus Niterói, Marcos Vinicius Cabral é jornalista com passagens pelo O São Gonçalo, A Tribuna, Coluna do Fla e o POVO. Rubro-negro desde o nascimento é, ao lado de Sergio Pugliese, autor do livro sobre o Leandro, ex-lateral do Flamengo e da seleção brasileira.
    InícioColuna do CabralFernando Diniz pode ser o caminho

    Fernando Diniz pode ser o caminho

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    “Acho, sim, que o Diniz é o caminho para o Flamengo!”

    Eu nunca escondi minha admiração pelo trabalho de Fernando Diniz. E fiz questão de dizer isso a ele, com todas as letras, na única vez em que nos falamos por telefone. Eu precisava de um depoimento para “O futebol é uma grande mentira“, livro que estou escrevendo sobre Paulo Angioni, diretor-executivo do Fluminense, e aproveitei aquele momento para cumprir uma pauta, mas para reconhecer algo que já vinha sendo construído dentro de mim há muito tempo.

    Minha admiração pelo chamado “Dinizismo” vem de longe. Lá dos tempos do Grêmio Osasco Audax, quando muita gente ainda não entendia – ou não queria entender – o que ele estava propondo.

    Mas sendo, justo essa história começa ainda antes, no Votoraty Futebol Clube, que foi presidido por Mauricinho, ex-ponta do Vasco nos anos de 1980.

    Ali, já no início da carreira, Diniz mostrou que não seria só mais um treinador refém do resultado. Ganhou títulos, foi competitivo, mas acima de tudo, apresentou ideias.

    Depois vieram passagens por Paulista, Botaffogo-SP, Atlético Sorocaba, Guaratinguetá e Paraná, até fazer história no Audax.

    Eu vi de perto o quanto isso custou. No Fluminense, na primeira passagem em 2019, ele foi incompreendido,criticado, demitido. A vida seguiu no São Paulo, Santos e Vasco da Gama, sempre carregando nas costas esse rótulo de “teimoso”, quando, na verdade, eu sempre enxerguei como convicção.

    O que me encanta em Diniz não é só o resultaso – que, aliás, chegou com força em 2023, com a Libertadores pelo Fluminene e o reconhecimento internacional.

    É o preocesso.

    É a forma commo ele enxerga o jogo.

    Times que saem jogando desde o goleiro, que tratam a bola com respeito, que se movimentam como se estivessem jogando futsal em campo aberto, que recusam o chutão mesmo sob pressão.

    Existe ali uma ideia de liberdade, de protagonismo do jogador, de resgate da essência do futebol. Sou fã de treinadores que amam a posse de bola.

    E talvez o que mais me marcou em Fernando Diniz foi entender que, para ele, o maior troféu não é uma taça – é recuperar um jogador, é fazer alguém voltar a acreditar em si mesmo.

    O herói impróvavel John Kennedy que o diga.

    Isso diz muito de Fernando Diniz. Isso explica muita coisa do paizão que ele é para seus jogadores.

    Paizão que se irrita com os “filhos” desobedientes como Tchê Tchê durante a partida entre São Paulo e Red Bull Bragantino pelo Brasileirão em 2021.

    No entanto, desde o retorno ao Fluminense, em 2022, minha admiração só cresceu. Porque ali ele não venceu apenas jogos – ele venceu resistências, venceu desconfianças, venceu o próprio sistema que tantas vezes tenta engolir quem pensa diferente.

    E eu sei que muita gente pode discordar de mim, principalmente a Nação ou o leitor. Mas eu não tenho problema nenhum em dizer: acho, sim, que o Diniz é o caminho para o Flamengo.

    Inclusive, olhando para o cenário atual do clube, reforço ainda mais essa convicção. Achei a demissão de Filipe Luís acertada. Futebol de alto nível exige resposta rápida e ele insistiu com um esquema teimoso e manteve Plata.

    Mas a forma como tudo aconteceu não foi a ideal. E, para piorar, não vejo em Leonardo Jardim o perfil adequado para dirigir o Flamengo. O clube precisa de alguém com ideias claras, liderança forte e capacidade de suportar a pressão – exatamente o tipo de desafio que um treinador como Diniz não foge.

    Agora, isso não significa garantia de sucesso. O futebol não fuciona assim. O próprio Telê Santana, um mestre, não deu certo no Flamengo em 1989. O Vanderlei Luxemburgo, que em 1995 era o melhor técnico do País, também  não conseguiu fazer aquele time engrenar – mesmo com o chamado melhor ataque do mundo, com Romário, Sávio e Edmundo.

    E tem mais um ponto que, para mim, pode ser decisivo: o temperamento do Diniz à beira do campo. Aquela intensidade, às vezes explossiva, pode ser exatamente o que falta para ajustar um elenco formado por jogadores já consagrados – ou pode criar uma ambiente insustentável.

    Todavia, convenhamos, isso também não seria nenhuma novidade em se tratando de Flamengo.

    Fernando Diniz pode não dar certo. E tudo bem. Porque, para mim, mais importante do que a garantia é a ideia. É a coragem de apostar em algo que foge do óbvio, que desafia o lugar comum, que tenta fazer o futebol ser mais do que apenas resultado.

    Quando falei com ele ao telefone, eu não estava falando só com um treinador. Eu estava falando com alguém que, à sua maneira, tenta reinventar o futebol todos os dias. E isso, para mim, já é grande o suficiente para ser admirado.

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