Confira quais são as qualidades do defensor brasileiro Emerson Royal, reforço que será apresentado hoje pelo Flamengo
Na manhã dessa terça-feira, dia 29, o Flamengo fará uma coletiva de imprensa para apresentar de maneira oficial Emerson Royal.
Jogador que gosta de artes – já até se aventurou em gravar alguns traps – vem como uma reposição para a saída do jovem Wesley e ao contrário do que ocorreu com Jorginho e Saúl, dessa vez é um atleta jovem, no auge da idade, com 26 anos.
Falaremos agora sobre as qualidades positivas e negativas de Royal, confira aí.
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A origem de Emerson Royal e suas valências físicas
Nascido em janeiro de 1999, o lateral tem completos 26 anos. Natural de São Paulo-SP, é consideravelmente alto para lateral, medindo 1,81m.
Ele fez categorias de base na Ponte Preta de Campinas-SP.
Chegou a jogar pelo time campineiro por um ano, fato que acaba sendo uma grande coincidência com o lateral Rodinei, defensor folclórico do Flamengo, que guarda semelhanças físicas com o novo jogador.

Nome de batismo x nome de guerra: sai Emerson Jr e entra Emerson Royal
O nome de batismo do atleta é Emerson Aparecido Leite de Souza Junior. Seu nome de “guerra” é assim graças a um apelido e não a um sobrenome.
Quando ele era pequeno, chorava muito, então alguém próximo disse que ele tinha uma bocarra, uma boca grande, tal qual Bocão, o mascote da marca de fermentos e gelatinas Royal. Como ele não gostou do apelido, passou a se chamar de Royal, até assumir a alcunha Emerson Royal.
O jogador acabou indo para o Atlético Mineiro, em 2018. Disputou o Sul-americano Sub 20, pela seleção brasileira da categoria, depois despertou interesse de times europeus.
Acabou sendo contratado pelo catalão Barcelona e pelo Real Bétis em uma ação conjunta, que consistia em cada um dos times arcando com a metade dos valores pagos ao Galo. Emerson foi vendido por aproximadamente 12 milhões de euros e jogou no time alviverde de Sevilla.
O Barcelona tinha a opção de readquiri-lo por 6 milhões de euros em 2021, mas acabou não fazendo isso, ou seja, ele nem jogou pelo time azul grená, já que rapidamente se firmou no Bétis, sendo titular absoluto no último ano de contrato.

Após boa passagem e participação em La Liga, Emerson Royal foi negociado pelo Real Bétis, que fez um grande negócio, vendendo-o por quase 30 milhões de euros para um time da Premier League, a pedido do técnico português José Mourinho.
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Ida para a Inglaterra
Em 2021 foi para Londres, jogar pelo Tottenham Hotspur e curiosamente não conseguiu jogar sob o comando do Especial One, já que Mourinho foi mandado embora antes de Royal estrear.
Esteve por lá em três temporadas, foi treinado por Antonio Conte, com quem teve boas participações, diga-se. Em sua última temporada, sob comando do grego Ange Postecoglou, se tornou reserva de Pedro Porro e não conseguiu mais se firmar no time.
Acabou embarcando para a Itália, passando ao Milan, tentando resgatar a tradição de laterais brasileiros no Rossonero, como havia sido anos antes com Cafu e Serginho. Assinou com o clube milanês até 30 de junho de 2028, com opção de extensão por mais um ano, mas também não se firmou.
Estava em negociações com o futebol da Turquia, com o Beşiktaş Jimnastik Kulübü, mas o Flamengo atravessou a negociação.
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A força e inteligência de Emerson Royal
Royal retorna ao Brasil mais experiente, com apego a tática e muita força. Ele se tornou alvo de chacotas e não é tão bem quisto pelo torcedor médio, especialmente depois que começou a ser convocado pela seleção brasileira.
Justiça seja feita, ele de fato não foi bem com a camisa amarela que um dia foi de Carlos Alberto Torres, Jorginho e Leandro, mas dada a qualidade dos treinadores que comandaram ele, natural que não jogasse bem.
Ouvindo alguns especialistas, se sabe que ele tem muita força, vontade e potência, mas falta um pouco de apego a disciplina tática. Ele claramente é mais maduro taticamente que Wesley e embora jogue mais como ala, também atuou na zaga.
Para o analista tático Falso Nove – alcunha de Victor Nicolau – a comparação mais justa entre Royal e outro jogador, é justamente um expoente brasileiro histórico e titular em duas Copas do Mundo, no caso, o forte Maicon, ex-jogador do Cruzeiro, Internazionale, Roma e Manchester City.

Além de forte no combate e na recomposição, ele também tem uma boa bola longa, sendo capaz de distribuir bons passes de profundidade, também consegue entender bem o jogo de costas, girando velozmente, virando para ambos os lados, já que é ambidestro.
Nas categorias de base, jogou até de volante e como profissional aproveita essa ambivalência para variar entre infiltrações nas pontas e no meio de campo.
Ele sobe por dentro, sabe fazer infiltrações, interpreta bem a recepção e consegue tabelar tanto na base da jogada com os zagueiros, por dentro com os volantes e na amplitude, geralmente com pontas e atacantes.
Faz tudo isso muito facilmente. É rápido em pensamento e em disposição.
Cruzamentos
Se o leitor se pergunta se Emerson Royal é um especialista na função de jogar bolas na cabeça dos atacantes, a resposta pode não ser a ideal.
Royal é um lateral mais ofensivo que a maioria. Nesse ponto, tem perfil semelhante a Wesley e até a Rodinei, mas tal qual ambos, não tem o seu talento maior nos cruzamentos.
Ele sobe muito, lança bolas na área, mas não é essa sua principal jogada. Sendo mais velho e mais experiente que Wesley, certamente é mais sábio na hora das escolhas da jogadas, embora nos últimos tempos, no Milan, tenha pecado justamente nesse fundamento.
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Defensivamente
Emerson é rápido e tem uma boa capacidade de recuperação, não sendo tão veloz nisso quanto Wesley. Ele compensa essas características tendo talentos diferentes do antigo dono da posição, sendo mais forte fisicamente e mais alto.
Sabe saltar quando está pressionado, compõe bem a zaga e lê bem as formas de disputar com os atacantes adversários. Trabalha bem na marcação sob pressão, que é obviamente uma das marcas do time de Filipe Luís.
Por ser muito ofensivo, acaba se expondo demais e fazendo isso, perde muitas jogadas. Como ele se recupera bem, isso é compensado, mas para o analista menos atento, é fácil achar que ele é um marcador ruim.
Defeitos
O problema maior de Emerson Royal é na hora em que perde a bola, já que não é incomum que ele esqueça de correr para tentar consertar os seus erros.
Para alguém tão exposto, é ruim que isso ocorra, visto que perder a bola, em uma transição tão rápida quanto se faz nos jogos com Filipe Luís no comando, isso será comum.
Royal também perde a referência do atacante, quando a bola viaja pelo alto. Como Wesley era muito bom nesse quesito, preocupa que o novo reforço erre justamente nesse quesito, visto que, no automático, o time do Flamengo deve jogar nesse sentido.
Emerson Royal x Wesley

As pessoas também se perguntam se Royal seria melhor que Wesley e a resposta é simples: não.
Apesar de serem laterais mais ofensivos, as similaridades param por aí.
Como dito antes, ele tem defeitos e qualidades diferentes das de Wesley. Tem mais força e inteligência defensiva, mas cria muito menos que o atleta que está indo para a Roma.
Chances de Royal desfalcar o Flamengo
Considerando que a lateral é uma função com poucos jogadores no mercado, é uma baita alternativa, ainda mais considerando que o Flamengo está quase estourando no número de estrangeiros, é bom que o reforço que venha não ocupe outra dessas vagas.
Talvez uma questão com ele seja desfalques via seleção brasileira. Dada a condição de escassez na posição, ele pode desfalcar sim o time do Flamengo.
O histórico de lesões de Emerson é baixo, ele se contundiu poucas vezes, sendo a mais duradoura no último ano, no Milan, quando sofreu lesão na panturrilha direita e ficou fora algum tempo. As primeiras previsões eram de dois meses de ausência, mas ele ficou fora por 120 dias.
Essa é uma exceção em sua carreira, normalmente, Emerson Royal é um touro. Esperamos que se encaixe bem e que consiga ter boa performance.
Em breve retornamos com mais informações.
Vamos Flamengo.
