Ex-presidente Bandeira de Mello teve seu nome retirado pelo MP do inquérito sobre a morte dos 10 jovens no início de 2019.
Às vésperas do sexto aniversário da maior tristeza que qualquer torcedor do Flamengo já viveu, um dos nomes envolvidos simplesmente foi retirado do processo, mesmo que não tenha havido ainda qualquer punição formal aos acusados.
O Ministério Público (MP) pediu para que o nome do deputado federal Eduardo Bandeira de Mello seja retirado.
O órgão considera que o caso prescreveu em relação ao político e ex-presidente do Flamengo, assim ele não poderia mais ser punido. O requerimento foi feito na última segunda-feira, dia 3, pela promotora Roberta Dias Laplace.
O caso será apreciado pelo juiz do caso, a medida envolve uma questão técnica, se for adiante, vai livrar Bandeira do processo antes mesmo do julgamento do mérito da questão.
O Caso
Em oito de fevereiro, um incêndio em um container vitimou dez garotos, no alojamento presente no Centro de Treinamento George Helal, o popular Ninho do Urubu.
As vítimas foram Athila Paixão, Arthur Vinícius de Barros Silva Freitas, Bernardo Pisetta, Gedson Santos e Pablo Henrique da Silva Matos, todos de14 anos, também Christian Esmério, Jorge Eduardo Santos, Samuel Thomas Rosa e Vitor Isaías de 15 anos, além de Rykelmo de Souza Vianna, 16 anos.

O local já tinha sido considerado digno de condenação, haviam pedidos para desalojar os jogadores de lá.
No recente documentário dos canais Globo A Reinvenção do Flamengo (que aliás, em breve terá um review publicado) Bandeira disse que já teria retirado os garotos desse lugar, caso fosse presidente. Fato é que não tirou e a tragédia ocorreu meses após a saída dele do posto maior da política do clube..
Reflexão
Não gosto nem de emitir muita opinião sobre o caso. Tenho bastante receio de expressar mais emoção do que razão nesse caso, mas é triste como tudo se encaminha para que não tenha qualquer culpado julgado como tal.
O papel de investigar é das autoridades legais cabíveis e há muita grita – sobretudo de torcedores rivais – de que o Flamengo deve pagar as indenizações, fato que é óbvio.
O que não é óbvio (mas deveria ser) é o pedido por justiça.
Só pagar as famílias das vítimas – que aliás, foram muito maltratadas pela última gestão – é pouco. É preciso que se puna quem tem que punir, é preciso responsabilizar quem subestimou as condições do lugar onde as crianças estavam e criminalizar quem quer que tenha errado.
Bandeira colocou os meninos nesse lugar, a diretoria que recentemente assumiu também não retirou os garotos e conseguiu tratar as famílias das vítimas com grande indignidade, para falar a o mínimo.
É só muito lamentável e melancólico que isso siga assim.
No sábado devemos publicar uma postagem sobre o caso, falando também sobre o documentário de Pedro Asbeg, via Netflix, o bom O Ninho: Futebol e Tragédia.
Em breve voltaremos com mais informações.
Vamos Flamengo!