Não era para ser Renato Gaúcho (graças a Deus) era para ser Filipe Luís o primeiro jogador e treinador a vencer a Libertadores pelo Flamengo
Um título suado, sofrido e disputado como foi o tetra da Libertadores conquistado pelo Flamengo obviamente não pode ser atribuído a uma pessoa só.
Em 1981 o Mengão de Zico ganhou, mas não foi somente ele que brilhou. Em 2019 não foi só Gabigol o responsável por aquela campanha épica, mas a taça desse ano, indiscutivelmente tem como figura central o treinador (e ídolo Filipe Luís) o primeiro jogador e técnico vencedor da Libertadores pelo Mais Querido.
Mesmo com uma campanha cheia de altos e baixos, depois de penar para se classificar na fase de grupos, de perder vergonhosamente para o Central Córdoba e quase ser eliminado pelo Estudiantes, o Flamengo vence sua quarta Copa Libertadores.
Falaremos dela e claro, do herói, Filipinho.
Uma chegada inesperada para Filipe Luís
Por muito pouco Filipe não veio ao Flamengo.
Em 2019, a diretoria do rubro-negro foi atrás dele, que tinha o contrato com o Atlético de Madrid encerrando. O Flamengo tinha Renê, que vinha bem, mesmo sendo criticado, sendo útil demais, tanto que mesmo veterano, segue sendo titular no pós-saída do Flamengo, primeiro no Inter e atualmente no Flu.
No entanto ele demorou a decidir se vinha ou não, já que estava bem estabelecido na Europa.
Esse comentarista confessa que sentiu raiva por essa espera, até desejou que não viesse. Ainda bem que estava errado…
Pesou a favor para a decisão positiva a vontade de homenagear seu avô, seu Moisés, que foi um grande torcedor rubro-negro, além do apoio da família, em especial sua esposa, Patricia Kasmirski, que mesmo sendo natural de Madrid, concordou em se mudar para o Brasil, para que o até então lateral-esquerdo pudesse voltar para sua terra.
A história se fez, Filipe retornou a sua origem para se sagrar um imortal do Clube de Regatas do Flamengo e para validar a lembrança de seu Moisés.

Justiça para Filipe Luís
Curiosamente, Filipe brilha depois de ter saído mal em duas finais como jogador.
Na primeira, em 2019, deu lugar a Renê e em 2022, liberou vaga para Ayrton Lucas, que foi fundamental na final, uma vez que houve uma expulsão do Athlético Paranaense graças a ele.
Filipe Luís merecia uma chance de redenção, mesmo jamais tendo sido o vilão e o destino o premiou com isso.
O especialista tático e técnico
A maior parte das críticas a treinadores mira a dificuldade de gerar variações táticas e em modificar o time com substituições.
Filipe não é imune a isso e quem falava que ele tinha dificuldades em variar entre esquemas não estava errado, embora atualmente, esteja. O Flamengo de FL normalmente propõe jogo, mas eventualmente, permite ao adversário pouco criativo a chance de tentar criar.
Foi dessa forma que a penúltima vitória do Palmeiras, o 3 a 2 no Maracanã ocorreu e por mais que ontem o parâmetro tenha sido completamente diferente, é indiscutível que a taça conquistada ontem passou também pela confiança do time rubro-negro e a insegurança do time verde.
Para vencer um troféu é preciso se acostumar a ganhar e Filipe fez isso.

Filipe Luís também mostrou resiliência e genialidade ao driblar as lesões que seu time sofreu.
Por todo o primeiro semestre, Pedro esteve fora, retornou para disputa do Super Mundial, brigou com o treinador, resgatou seu espaço no time e virou um baita reforço, mesmo estando fora nesse momento.
Filipe recuperou o futebol de Everton Cebolinha, de Bruno Henrique, protegeu jogadores recém-chegados e injustamente criticados, como Samuel Lino, além de outros que foram justamente mal falados, como Emerson Royal.
Ele foi um sujeito de grupo, errou, acertou e blindou o vestiário.

Desacertos
Claro que não são tudo flores. Filipe erra ao subutilizar a base, poderia dar mais chances aos garotos.
Lorran foi negociado depois de ter tido parcas oportunidades, especialmente após a saída de Tite, Matheus Gonçalves até foi mais acionado, mas também saiu por falta de espaço.
As exceções foram Evertton Araújo, que melhorou demais nas últimas vezes que entrou e Wallace Yan, que ficou um bom tempo esquecido. Para o ano que vem é preciso reformular o time, talvez utilizar melhor os zagueiros Iago e João Victor, o lateral Daniel Sales, possivelmente Pablo Lúcio.
Também se deve pensar em como utilizar melhor jogadores como Viña e Juninho, que poderiam ser mais úteis, embora o caso de ambos seja completamente diferente.
O uruguaio é bom jogador, pode disputar vaga com Alexsandro, mas Filipe pareceu ter uma idolatria por Ayrton, às vezes, injustificada.
Já Juninho é um jogador de uma função única, deveria ser opção a Pedro e se não está no nível técnico desejado, melhor ser negociado.
Para o Futuro
A torcida é que Filipe Luís siga sendo treinador do Flamengo, que tenha seu contrato renovado e que vença também o Campeonato Brasileiro, repetindo assim a ribalta de 2019.
O destino do técnico parece que será ainda mais brilhante do que é. Ele é jovem, estudioso, tem mente renovada, tem poucos vícios de treinadores brasileiros, possivelmente um dia irá para a Europa.
Não como prever o futuro e o presente reserva ainda muitas glórias e conquistas, caso o ídolo permaneça como professor desse elenco.
É cedo para projetar quais conquistas mais poderão acontecer, mas a expectativa é grande, do tamanho do sonho do seu Moisés, em ver o seu netinho jogando pelo Flamengo.
Agora do céu ele assiste o menino ganhando a Glória Eterna, não mais correndo em campo, mas vibrando no lado de fora, orientando, ensinando, como o próprio seu Moisés deve ter feito com o netinho.
Um amor transcendental e poético, que fez Flamengo escolher Filipe e Filipe escolher Flamengo.

