O atacante Pedro vem dividindo opiniões com atitudes antiprofissionais nos bastidores do Flamengo!
Acompanho futebol desde quando era garoto lá no Barreto, em Niterói, onde passei parte da minha vida nos longínquos anos de 1980 e 1990. E vou dizer um negócio para vocês sem medo de errar: não me lembro de um treinador falar de um jogador da forma que Filipe Luís falou de Pedro publicamente na coletiva após a vitória do Flamengo por 2 a 0 sobre o São Paulo, no sábado (12) no Maracanã, pela 13ª rodada do Brasileirão.
Existem dois “Pedros” nessa história: o Pedro que acha estar acima de tudo e de todos desde que chegou ao clube em janeiro de 2020, e o Pedro que, apesar de bom jogador, não tem sido bom funcionário com o patrão, no caso o empregador, o Flamengo.
Não é novidade que o Pedro está insatisfeito por não jogar, muito embora tenha atuado como titular cerca de 50% dos jogos.
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Não é segredo essa ruptura dele com comissões técnicas do Flamengo em um passado recente.
Vale ressaltar que a jornalista Sílvia Lima, editora-chefe do Voz do Ninho, fez uma excelente matéria e enumerou os problemas que Pedro arrumou no Flamengo. Separei quatro trechos:
Rogério Ceni, então treinador do Flamengo, classificou como “desrespeito” o jeito como Pedro reagiu ao ser substituído em um jogo contra o Fortaleza, no Maracanã, em 2021: “Acho uma cena lamentável, que não cabe mais no futebol”, disse à época.
Pablo Fernández, auxiliar técnico de Sampaoli, desferiu um soco na boca do jogador ao final da partida entre Flamengo e Atlético-MG, em 2023. Segundo o preparador, Pedro havia se recusado a permanecer no aquecimento, visivelmente incomodado de estar na reserva.
Certa vez, Dorival Junior concedeu entrevista e afirmou que o atleta estava fazendo “corpo mole” nos treinos.
E, por fim, David Luiz chegou a dizer que o ex-companheiro tinha que levar os treinos a sério e que o atacante estava treinando de sacanagem, sem se doar, sem dedicação.
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Em nível de Brasil, Pedro, camisa 9 do Flamengo, é craque. É um atacante talentoso, matador, mas é evidente que precisa ter sequência para voltar a performar.
Mas Filipe Luís não está disposto a sacrificar o esquema tático que tem e a união do elenco do Flamengo para benefício de um atleta. Muito pelo contrário, é a tradicional expressão “boi de piranha”, já ouviu falar?
É aquela situação surgida da necessidade de atravessar o gado em rio com piranhas. O boiadeiro escolhe um animal velho ou doente e coloca na água em local acima ou abaixo do ponto de travessia. Feito isso, enquanto as piranhas vão devorando o pobre animal, o restante do gado atravessava o rio.
Pedro é esse boi. Foi colocado na água para ser devorado pela torcida e pela imprensa.
O que me surpreende nessa história toda é que outros jogadores – vocês sabem a quem me refiro – fizeram algo pior, como vestir camisa de clube paulista e ter a família envolvida em investigação sobre manipulação de jogos. E passaram batido.
Pedro é um cara fechado e menos marrento, então fica mais fácil crescer para cima dele. Uma boa conversa e a frase do jornalista Mauro Cezar Pereira sobre o Zico resolveriam o problema: “Se Zico não fez, ninguém pode fazer”.

