Em apresentação, dirigente profere palavras bastante preconceituosas, a respeito de todo um povo continental!
Aparentemente não é só o time profissional do Flamengo que consegue gerar uma crise futebolística por dia, já que no dia “zero” de trabalho como responsável pelas categorias de base do Flamengo, o recém-empossado Alfredo Almeida conseguiu ofender todo o povo de um continente, em um comentário sobre jogadores africanos.
Na última segunda-feira, 14 de julho de 2025, ao falar de valências físicas de atletas que o Flamengo potencialmente procuraria, o português disse que se fosse procurar alguém com qualidades físicas, buscaria na África.
Até aí, nada demais, visto que boa parte dos jogadores fortes do futebol mundial vem de países como Senegal, Camarões, Costa do Marfim, Nigéria etc.
Ainda assim, para grande parte da militância ligada a raízes raciais, há nesse comentário uma série de complicações, típicas das falas de um sujeito vindo da Europa. Deixamos essas de lado, pelo menos, por enquanto, para falar do que indiscutivelmente é problemático.
A grande e pontual questão é que ao falar de jogadores com qualidades mais “mentais” e “cerebrais”, o cartola disse que se deveria procurar em outras zonas, como na Europa ou em outras partes do Globo.
Destacamos a fala, em um recorte da Coluna do Fla.
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O vídeo:
Não é sem razão que exista alguma resistência a chegada de portugueses para a comissão técnica de times grandes do Brasil.
Descartamos dessa sentença a xenofobia pura e simples – que é injustificável, sempre – mas falas como as dadas por Alfredo infelizmente são mais comuns do que deveriam.
Sei que é clichê falar disso, mas é comum que pessoas de origem portuguesa se façam entender com um discurso um bocado arrogante, que beira uma Síndrome de Colonizador, acreditando que por virem do Velho Continente, devem educar a tudo e todos, no novo país onde vão trabalhar.
Algumas vezes, esse tipo de atitude nem é exatamente pensada, só é propalada de maneira automática e sem grande reflexão. Ainda assim, é incômoda e errada, uma mania mal-educada e culturalmente vil.
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A problemática afirmação
Almeida foi bastante infeliz, para dizer o mínimo.
Afirmar que “a África tem valências físicas como quase nenhuma parte do mundo (…) a parte mental, temos que ir a outras zonas da Europa e do globo” é simplesmente patético.
Curioso que mesmo falando de coisas importantes, como a mentalidade vencedora que pretende colocar em prática, tais afirmações se perderam, ficando menos importantes diante de seu erro crasso.
Quem é Almeida?
O português era assistente de José Boto e foi promovido para o novo cargo, no lugar de Carlos Noval, que era homem de referência no modo de lidar com categorias de base, não só falando sobre Flamengo, sendo um exemplo de profissional de ponta no Brasil.
Uma das falas dele, destacamos aqui, sobre a busca dos europeus em relação aos jogadores brasileiros, confira:
Se formos a realidade do Brasil, existe regra e exceção. Exceção era o Ronaldo da vida, que tinha tudo. Mas a regra é termos os Neymares da vida. jogadores franzinos, mas que a bola faz parte do corpo, que descobrem soluções em campo como ninguém. Que conseguem passar por armadores físicos. E os brasileiros passaram a dar ênfase à forma física, a querer jogadores muito fortes, rápidos. pulsantes. A Europa não pede isso do brasileiro, pede o que não tem lá: a magia.
O entendimento dele é assertivo, ao menos nas aspas destacadas, mas obviamente faz empalidecer os momentos corretos da entrevista.
Em breve falaremos do perfil do novo dirigente e voltaremos com mais informações.
Vamos Flamengo!
